sexta-feira, 29 de abril de 2011

REALISMO, TOMÁS DE AQUINO

REALISMO

            Realismo é o nome dado às doutrinas que defendem a tese de que existe um conjunto de dados, ou um agrupamento de coisas, que estão “fora” do “espírito” humano e que, mesmo assim, podem explicar como se adquire Conhecimento e o que é o próprio Conhecimento.
            O realismo é a atitude espontânea de todo ser humano ante a pergunta que fazemos: quem existe? A essa pergunta a resposta espontânea do homem é dizer que existe este copo, esta lâmpada, este senhor, esta mesa, o sol; tudo isto existe. Pois a essa resposta espontânea que dá o ser humano à pergunta metafísica, confere Aristóteles finalmente, ao cabo de quatro séculos de meditação filosófica, a forma mais perfeita, mais completa, melhor construída e mais satisfatória que conhece a história do pensamento. Pode-se dizer que a realização da metafísica realista encontra em Aristóteles sua forma mais acabada. Esta forma vai vigorar no pensamento da humanidade até chegar outra radicalmente nova para substituí-la.

TOMÁS DE AQUINO (1225-1274)

            Doutor da Igreja inverteu prioridades no pensamento medieval, dando ênfase ao mundo real e ao aprendizado pelo raciocínio. Nessa época, houve uma miscigenação cultural, com os sábios árabes adentrando à Europa. Em oposição aos princípios de Santo Agostinho (a certeza da própria existência espiritual; tirando daí uma verdade superior, imutável, condição e origem de toda verdade particular), conciliava a fé cristã com o pensamento do grego Aristóteles, o qual cristianizou através da releitura de sua obra aliado a religiosidade.
            Para ele, o conhecimento humano se dividia em dois: o sobrenatural (ou sensível), ensinado pela fé (ou captado pelos sentidos), e o natural, à luz da razão. Para Tomás, não havia contradição entre essas formas de conhecimento, pois ambas vinham de Deus.
            Foi o grande nome da filosofia escolástica (Escolástica - Corrente Filosófica que surgiu a partir da Patrística, a filosofia dos Padres da primitiva Igreja Católica. Seu principal objetivo era conciliar os dogmas da Fé com o Raciocínio ou Razão), cujo pensamento privilegiou a atividade, a razão e a vontade humana. As matérias ensinadas nas escolas medievais eram representadas pelas chamadas artes liberais, divididas em trívio - gramática, retórica, dialética - e quadrívio - aritmética, geometria, astronomia, música. A idéia, transportada para a educação, introduz um princípio pedagógico moderno e revolucionário para seu tempo: o de que o conhecimento é construído pelo estudante e não simplesmente transmitido pelo professor.
            Cada ser humano, segundo ele, tem uma essência particular, à espera de ser desenvolvida, e os instrumentos fundamentais para isso são a razão e a prudência. Esse, para Tomás de Aquino, era o caminho da felicidade e também da conduta eticamente correta. São Tomás foi um Pensador vinculado à Religião, contudo deixou clara sua aprovação à idéia desejável e benéfica de haver total separação entre Igreja e Estado, o Direito e a Moral Cristã e, óbvio, entre a Teologia e a Filosofia. Embora tenha afirmado a inteiração entre o “Teísmo Cristão” e o “Rigoroso Naturalismo de Aristóteles”, pregava a desvinculação entre as questões espirituais e as materiais.

PENSAMENTO PEDAGÓGICO, ARISTÓTELES

PENSAMENTO PEDAGÓGICO
           
            O pensamento do filósofo grego Sócrates (469-399 a.C.) marca uma reviravolta na história humana. Até então, a filosofia procurava explicar o mundo baseada na observação das forças da natureza. Com Sócrates, o ser humano voltou-se para si mesmo.
            Sócrates concebia o homem como um composto de dois princípios, alma (ou espírito) e corpo. De seu pensamento surgiram duas vertentes da filosofia que, em linhas gerais, podem ser consideradas como as grandes tendências do pensamento ocidental. Uma é a idealista, que partiu de Platão (427-347 a.C.), seguidor de Sócrates. Ao distinguir o mundo concreto do mundo das idéias, deu a estas o status de realidade; e a outra é a realista, partindo de Aristóteles (384-322 a.C.), discípulo de Platão que submeteu as idéias, às quais se chega pelo espírito, ao mundo real. É desta corrente que vertente, em especial, neste trabalho.

ARISTÓTELES (384-322 a.C.)

            Filósofo grego, Aristóteles é considerado o fundador da Lógica. Ao lado de Platão, Aristóteles é o pensador mais influente da filosofia ocidental de todos os tempos. Ele via na escola o caminho para a vida pública e o exercício da ética. Na escola, o princípio do aprendizado seria a imitação. Considerava a família, como base para a sociedade e para a educação das crianças e atribuía aos governantes o dever de regular e vigiar o funcionamento das famílias. Para Aristóteles, ser feliz e ser útil à comunidade eram dois objetivos sobrepostos. Sua obra tem grande influência na Teologia cristã na Idade Média, através da releitura realizada por Tomás de Aquino.
            Freqüentou a Academia de Platão, de quem foi discípulo por 20 anos. Posteriormente foi professor do Príncipe Alexandre, da Macedônia. Quando este assumiu o trono, voltou para Atenas e fundou o Liceu, onde difundia o conhecimento através de contribuições individuais através de experiências que visavam comprovar tal conhecimento, diferente da dialética que impunha verdades incontestáveis, como a utilizada na Academia de Platão. Para ele, deve-se procurar o conhecimento por meio do “intelecto ativo”, como chama a inteligência. Uma das duas grandes inovações do filósofo em relação ao antecessor foi negar a existência de um mundo supra- real, onde residiriam as idéias. Para Aristóteles, ao contrário, o mundo que percebemos é suficiente, e nele a perfeição está ao alcance de todos os homens. A oposição entre os dois filósofos gregos – ou entre a supremacia das idéias (idealismo) ou das coisas (realismo) - marcaria para sempre o pensamento ocidental. Para ele, todas as coisas têm uma finalidade, e é isso que leva todos os seres vivos a se desenvolver de um estado de imperfeição (semente ou embrião) a outro de perfeição (correspondente ao estágio de maturidade e reprodução) mesmo sabendo que nem todos os seres conseguem concluir esse ciclo. O ser humano precisa desfrutar das condições necessárias para desenvolver o talento.
            Um dos fundamentos do pensamento aristotélico é que todas as coisas têm uma finalidade. A segunda inovação de Aristóteles foi no campo da lógica. Ele desenvolveu o silogismo que consiste de três proposições – duas premissas e uma conclusão. A observação empírica – isto é, a experiência do real – ganha, assim, papel central na concepção de ciência de Aristóteles, em contraste com o pensamento de Platão, voltado à dialética. Ensinou seus alunos dominar a retórica para serem capazes de defender qualquer ponto de vista, dependendo do interesse. Seus escritos lógicos estão reunidos no livro Organon.
            Grande parte da extensa obra de Aristóteles se perdeu e o que restou foi reorganizado (e talvez deturpado) por pensadores de outras épocas. A obra aristotélica só voltou a circular na Europa na Idade Média, por intermédio dos invasores árabes, que haviam preservado seus livros. Depois da morte de Alexandre, Aristóteles passou a ser perseguido por ter colaborado na educação do imperador macedônio. Refugiou-se em Cálcis, onde morreu em 322 a.C.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

GARDNER

GARDNER
Para Gardner não bastavam as críticas, ele acreditava que deveriam ser abandonados os testes e suas correlações e partir para observar as fontes de informações mais naturalistas a respeito de como as pessoas, no mundo todo, desenvolvem capacidades importantes para seu modo de vida. Em seu trabalho, Gardner procura os blocos construtores das inteligências. Para organizar a grande quantidade de informação Gardner teorizou as sete inteligências:
1. Inteligências Lingüísticas: característica dos poetas;
2. Inteligências Lógico-Matemática: à Capacidade lógica e matemática;
3. Inteligências Espacial: à capacidade de formar um mundo espacial;
4. Inteligência Musical: possuir o dom da música;
5. Inteligência Corporal-Cinestésica: capacidade de resolver problemas ou elaborar produtos utilizando o corpo;
6. Inteligência Interpessoal: capacidade de compreender outras pessoas;
7. Inteligência Intrapessoal: capacidade correlativa, voltada para dentro. Capacidade de formar um modelo acurado e verídico de si mesmo e de utilizar esse modelo para operar efetivamente na vida.
Para Gardner o propósito da escola deveria ser o de desenvolver essas inteligências e ajudar as pessoas a atingirem seus objetivos de ocupação adequados ao seu espectro particular de inteligência. Gardner propõe uma escola centrada no indivíduo, voltada para um entendimento e desenvolvimento ótimos do perfil cognitivo do aluno.

CONSTRUTIVISMO, EMILIA FERREIRO, COGNITIVISMO

CONSTRUTIVISMO
Construtivismo é uma das correntes teóricas empenhadas em explicar como a inteligência humana se desenvolve partindo do princípio de que o desenvolvimento da inteligência é determinado pelas ações mútuas entre o indivíduo e o meio. Parte da idéia de que o homem não nasce inteligente, mas também não é passivo sob a influência do meio.
O Construtivismo na Educação: Em suma, construtivismo abrange a idéia do “em processo”, ou seja, do estar se construindo, no campo educacional, é a idéia do conhecimento como algo não finito. O construtivismo acredita que o conhecimento e todo o processo educacional, é construído a partir de realidades sociais. Em uma visão não construtivista a resposta ou mensagem do professor é o que interessa, já na visão construtivista, é a pergunta ou situação problema que ele desencadeia nas crianças.
EMILIA FERREIRO
Emilia Ferreiro é uma psicóloga argentina construtivista que realizou estudos sobre leitura e a escrita. As teorias desenvolvidas por ela e seus colaboradores abandonam as concepções mecanicistas sobre o processo de alfabetização. Do ato de ensinar, o processo desloca-se para o ato de aprender por meio da construção de um conhecimento que é realizado pelo educando, que passa a ser visto como um agente e não como um ser passivo que recebe e absorve o que lhe é "ensinado". O problema que tanto atormenta professores que é o dos diferentes níveis em que normalmente os alunos se encontram e vão se desenvolvendo durante o processo de alfabetização, assume importante papel, já que a interação entre eles é fator de suma importância para o desenvolvimento do processo. Segundo ela, a compreensão da função social da escrita deve ser estimulada com o uso de textos de atualidade, livros, histórias, jornais, revistas.
COGNITIVISMO
É a capacidade do ser humano de adquirir conhecimento; ato ou processo de conhecer que envolve atenção, percepção, memória, raciocínio, juízo, imaginação, pensamento, reprodução de conhecimento, criatividade, linguagem e resolução de problemas. Assim, o Cognitivismo estuda os processos mentais que estão por detrás do comportamento. A Psicologia cognitiva possibilita o entendimento de como a criança aprende, sendo possível assim melhorar a didática do professor.

JEAN PIAGET

JEAN PIAGET

O cientista suíço revolucionou o modo de encarar a educação de crianças ao mostrar que elas não pensam como os adultos e constroem o próprio aprendizado. Jean Piaget (1896-1980) foi o nome mais influente no campo da educação durante a segunda metade do século 20, a ponto de quase se tornar sinônimo de pedagogia. Não existe, entretanto, um método Piaget. Ele nunca atuou como pedagogo. Dedicou a vida a submeter à observação científica rigorosa o processo de aquisição de conhecimento pelo ser humano, particularmente a criança. Do estudo das concepções infantis de tempo, espaço, causalidade física, movimento e velocidade, criou um campo de investigação que denominou epistemologia genética - isto é, uma teoria do conhecimento centrada no desenvolvimento natural da criança. Para o cientista suíço, o conhecimento se dá por descobertas que a própria criança faz. Vem de Piaget a idéia de que o aprendizado é construído pelo aluno.

Estágios de desenvolvimento
Um conceito essencial da epistemologia genética é o egocentrismo, que faz com que a noção de responsabilidade individual, indispensável para a autonomia moral da criança, seja adquirida.
Segundo Piaget, há quatro estágios básicos do desenvolvimento cognitivo:
1.      O estágio sensório-motor (vai até os 2 anos): percepção de si mesmo e objetos a sua volta.
2.      O estágio pré-operacional (vai dos 2 aos 7 anos): a criança continua egocêntrica e ainda não é capaz, moralmente, de se colocar no lugar de outra pessoa.
3.      O estágio das operações concretas (dos 7 aos 11 ou 12 anos): Domínio dos conceitos de tempo e número.
4.      O estágio das operações formais (começa por volta dos 12 anos): Essa fase marca a entrada na idade adulta, em termos cognitivos. O adolescente passa a ter o domínio do pensamento lógico e dedutivo, o que o habilita à experimentação mental. Isso implica, entre outras coisas, relacionar conceitos abstratos e raciocinar sobre hipóteses.

ADOLPHE FERRIERE, LEV VIGOTSKY

ADOLPHE FERRIERE
O trabalho pedagógico de Ferriere está estreitamente ligado ao movimento da Escola Nova, na medida em que é difícil separar as idéias de cada um dos seus idealizadores. Para Ferriere a escola é como uma família num internato criado no campo, onde a experiência da criança serve como uma base para a educação intelectual, através da correta utilização dos trabalhos manuais. A Escola Nova reconhece a criança como a única realidade em torno do qual se deve efetuar a programação educativa e profissional docente, idéia bastante defendida por Ferriere. Segundo ele, a educação é "Paidocêntrica", longe do tradicional pedagógico. O educador deve acompanhar todo o esforço da criança, e orientar o processo educativo. As características mais notáveis dessa educação são: atividade, vitalidade, liberdade, individualidade, comunidade.

LEV VIGOTSKY

A obra do psicólogo ressalta o papel da escola no desenvolvimento mental das crianças. A corrente pedagógica que se originou de seu pensamento é chamada de socioconstrutivismo ou sociointeracionismo. Se dedicou ao tema da evolução da capacidade de aquisição de conhecimento pelo ser humano.

Relação homem-ambiente: um ser se forma em contato com a sociedade. "Na ausência do outro, o homem não se constrói homem". A formação se dá numa relação entre o sujeito e a sociedade a seu redor - ou seja, o homem modifica o ambiente e o ambiente modifica o homem.  Sua teoria se refere à interação que cada pessoa estabelece com determinado ambiente.
Outro conceito-chave de Vygotsky é a mediação, que diz que toda relação do indivíduo com o mundo é feita por meio de instrumentos técnicos. Para Vygotsky, deve- se ensinar ao aluno o que ele ainda não sabe e nem é capaz de aprender sozinho, porque, na relação entre aprendizado e desenvolvimento, o aprendizado vem antes. "Ensinar o que a criança já sabe desmotiva o aluno e ir além de sua capacidade é inútil". O ensino de um novo conteúdo não se resume à aquisição de uma habilidade ou de um conjunto de informações, mas amplia as estruturas cognitivas da criança.

PSICOLOGIA DESENVOLVIMENTISTA, HENRI WALLON, ÉDOUARD CLAPARÈDE

PSICOLOGIA DESENVOLVIMENTISTA
IMPORTÂNCIA:  Colaborar para o entendimento dos processos biológicos e culturais. O Professor que compreende o modo de agir e pensar da criança obterá uma melhor qualidade de trabalho. A criança como um ser que aprende e se desenvolve: O professor precisa compreender a criança como um ser em desenvolvimento e levar em conta as condições de existência de cada um. 
HENRI WALLON   

Militante apaixonado, o médico, psicólogo e filósofo francês mostrou que as crianças têm também corpo e emoções (e não apenas cabeça) na sala de aula. Falar que a escola deve proporcionar formação integral (intelectual, afetiva e social) às crianças foi uma verdadeira revolução no início do século passado comandada por um médico, psicólogo e filósofo francês chamado Henri Wallon (1879-1962). Sua teoria pedagógica, que diz que o desenvolvimento intelectual envolve muito mais do que um simples cérebro. Fundamentou suas idéias em quatro elementos básicos que se comunicam o tempo todo: a afetividade, o movimento, a inteligência e a formação do eu como pessoa. A afetividade é um dos principais elementos do desenvolvimento humano.

ÉDOUARD CLAPARÈDE

Édouard Claparède (1873-1940) cientista suíço defendia a necessidade de estudar o funcionamento da mente infantil e de estimular na criança um interesse ativo pelo conhecimento. Claparède tinha formação em medicina e pretendeu construir uma teoria científica da infância. "Ele achava que a educação deveria passar por uma ‘revolução copernicana’, deixando de ter o professor como centro para gravitar em torno do aluno".

Adequação ao ambiente: Claparède defendia uma abordagem funcionalista da psicologia, pela qual o ser humano é, acima de tudo, um organismo que "funciona". "Claparède defendia o estudo dos processos psicológicos como funções de adaptação ao ambiente". Esse raciocínio levou Claparède a formular a lei da necessidade e do interesse, ou princípio funcional, que o tornou conhecido. Segundo ela, toda atividade desenvolvida pela criança é sempre suscitada por uma necessidade a ser satisfeita e pela qual ela está disposta a mobilizar energias.
Aprendizado ativo: Compartilhava a pregação por uma escola que chamavam de "ativa", na qual a aprendizagem se dá pela resolução de problemas. "Seja qual for a atividade que se queira realizar na sala de aula, deve-se encontrar um meio de apresentá-la como um jogo", sugeriu Claparède. "Ele sustentava a idéia, totalmente nova para sua época, de que o sujeito psicológico é um sujeito ativo".